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Uma multidão pedala para o futuro

Governo dos Países Baixos quer incentivar o uso da bicicleta pagando aos ciclistas por cada quilômetro pedalado

Uma ótima notícia para os defensores do pedal como forma de melhorar a mobilidade urbana. O governo dos Países Baixos anunciou um incentivo para quem utilizar a bicicleta para o trajeto entre casa e trabalho. A ideia publicada em diversos portais ativistas aponta que as empresas devem pagar 19 centavos de Euro por quilômetro rodado criando um estímulo a mais para um país já conhecido pelo uso das ciclovias. Importante ressaltar que os Países Baixos foram assolados pela violência no passado. Os holandeses chegaram a registrar mais de 400 mortes de crianças vítimas de acidentes no trânsito na década de 70. Nos últimos anos, esse índice não chega a 10 e ainda são discutidas políticas públicas para zerar a estatística.

Na França, mais de 10 mil trabalhadores já recebem 25 centavos de Euro por quilômetro pedalado. O pagamento é feito pelas empresas como parte de uma política pública para melhorar a qualidade de vida nas cidades. Vinte empresas francesas aderiram ao programa em uma estratégia voltada para o interesse da sociedade e não particular do governo ou dos próprios empresários.

As iniciativas não param por aí. Países europeus já contam com incentivos na hora da troca da bicicleta para evitar que o ciclista decida voltar a ter um carro. Mais do que isso, as políticas destinadas às bicicletas são parte de uma tendência maior: o mundo está aprendendo que é possível ser remunerado quando agimos pelo bem coletivo. A Suécia criou um salário mínimo geral para qualquer cidadão mesmo que não trabalhe, pelo simples fato de ter menor dependência de “manter horas e horas em um emprego”. Neste caso, não é preciso vender a força de trabalho e gerar lucros para terceiros para merecer um pagamento capaz de manter as condições de sobrevivência. É possível pensarmos um mundo onde agir ativa e conscientemente por uma cidade melhor possa render valor financeiro.

No Brasil, devido à concentração de riquezas, ainda estamos longe de contextos como estes mencionados, mas é possível apostar. A mudança não virá pelos grandes setores, empresas monopolistas ou multinacionais. Serão as pequenas e médias que inovarão e experimentarão os inegáveis ganhos da economia do bem estimulada, também, pelas boas práticas na mobilidade urbana.